Hoje tive um funeral de manhã, dum utente que faleceu no fim de semana.
Foi uma coisa muito triste, estava apenas o afilhado do falecido, acompanhado da esposa e sogra. E depois eu e o meu chefe!
Chegámos lá 5 minutos depois das 10h e já se encontravam junto à cova (não houve missa, não houve nada, mais 5 minutos e tinhamos perdido o funeral).
Quando voltei fui ver a esposa do falecido e estive um pouco a conversar com ela. A sra não foi porque não tem grandes condições para se movimentar e foi lá ontem despedir-se do marido.
Da conversa fiquei a pensar mais uma vez que o amor é mesmo um sentimento estranho, recebido de forma estranha por cada um que o sente e que o recebe...
Resumindo, o monólogo, foi mais ou menos isto " os primeiros 14 anos de casamento foram muito bons. A partir daí vieram de Moçambique morar para Lisboa e o marido arranjou uma mulher. Ela descobriu e foi falar com a "outra", perguntou-lhe se o amava, ao qual a "outra" respondeu que isso já não se usava. Se ela o amasse, ela não se importava de ficar sem o marido, para ele ser feliz. Mas não era o caso. Então fez de conta que não sabia de nada e ignorou a situação, tentando sempre que o marido fosse feliz.
Passado uns anos descobriu que ele tinha um filho, quando lhe falou no assunto ele disse que não queria saber e para ela não falar no assunto. Assentiu.
Sabia que o marido não queria vir para um Lar e culpa-se da morte dele. À umas semanas teve de ir para o hospital e foi encaminhada para Lisboa, ainda tentou saber informações da "outra" (que era lá enfermeira, apesar de já estar reformada à vários anos) para trazer as novas para o marido, mas não conseguiu.
Sente-se mal porque acha que não conseguiu fazer o marido feliz e diz estar zangada com Deus porque não lhe deu mais uma oportunidade.
À cerca de 15 dias enviou uma carta para o filho do marido a dizer onde estava, pois gostava de o conhecer e agora ainda mais, por ser "carne da carne" do marido. E seria tratado como um filho!
Dá que pensar não acham??