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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Finalmente, decidi conhecer o Grey!

Ele brinca e eu aproveito para ler ;)


Esta coisa dos romances eróticos preencheu o panorama nos últimos tempos e aquela febre que se via por todo o lado teve o efeito contrário em mim: não tinha curiosidade nenhuma em experimentar este género literário.
Até que surgiu o filme e o maridão quer ir ver o filme. E confesso, também tinha curiosidade. Nesse caso, aproveitei a onda e pensei: vou arranjar os livros. A modos que no fim de semana passado despachei o primeiro. O que dizer?
Lê-se muito rápido. É diferente do que já tinha lido até então e até tem alguns aspetos que (a serem desenvolvidos) poderão ser interessantes e dar um empurrão na história. Chegou a uma altura em que, confesso, estava farta de sexo, sexo, sexo. Era mais do mesmo. No inicio suscita curiosidade porque não estou propriamente familiarizada com as práticas Sadomasoquistas lol! Mas depois...enjoa um pouquito!
Este fim de semana devo começar a ler o segundo e sábado vamos ao cinema (de algumas opiniões de pessoas que leram o livro, deixou muito aquém)! Vamos lá ver se vale a pena!

Opiniões desse lado?

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Olhar de Sophie - Opinião


 
Ler Jojo Moyes é por norma, sinónimo de uma grande leitura. O Olhar de Sophie não fugiu à regra. Foi uma leitura intensa e viciante, com uma narrativa que me prendeu desde início. Apaixonei-me por Sophie e Edouard: pela coragem e bravura dela, pelo amor que os unia e lhes dava força para superar um cenário de miséria e degradação.
Os romances históricos são o meu género literário de eleição e Jojo Moyes é mestre em torná-los numa leitura inesquecível, em que os personagens ficam na nossa cabeça muito depois de termos virado a última página.  
 
Édouard e Sophie estão a viver em Paris e quando ele é chamado para combater, ela decide juntar-se aos irmãos e sobrinhos para ajudar a família e não estar sozinha nesta época de Guerra. Quando Sophie e a família é obrigada a receber os alemães e a cozinhar para eles, a pequena vila de Peronne não vê isto com bons olhos, apesar de saber que não lhes restam opções. Sophie é astuta e na situação que se encontra vai correndo riscos para apoiar os que a rodeiam mas ainda assim começa a ser vista com maus olhos pelos vizinhos. Até que, por Edouard, toma uma decisão que acaba por a levar ao abismo e é levada pelos alemães. Esta cena está descrita de forma tão realista que sofri por Sophie e pelo seu futuro. A pequena Édith, cuja mãe também já foi levada pelos alemães vê o seu elo ao mundo desaparecer com o desaparecimento de Sophie e isto permite-nos refletir sobre o sofrimento que milhares de pessoas passaram durante a Primeira Guerra, ao serem despojadas de tudo o que tinham, ao serem separados das suas famílias e obrigados a viver em condições terríveis.

As descrições são feitas de forma tão real, tão intensa, que é impossível ficarmos indiferentes a tamanho sofrimento e provações.
 
De um momento para o outro a autora inicia a segunda parte do livro, o momento presente. E nesta fase eu só queria saber do que aconteceu a Sophie, não queria saber de Liv, a nova personagem que a autora introduziu no presente. Mas logo este desinteresse desapareceu porque Liv tem um quadro muito especial em sua posse, que herdou do marido e que é nada mais nada menos que o quadro que Edouard pintou de Sophie e era a única recordação que tinha dele. Desta forma vamos conhecendo a história de Liv, uma mulher viúva que ao fim de alguns anos sozinha, conhece Paul que entra na sua vida e a faz despertar para o amor, mas ao mesmo tempo arrisca-se a perder a coisa mais preciosa que tem na sua vida, o quadro. Assim, vamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos na vida de Liv e a história do que aconteceu a este quadro e à nossa heroína Sophie. A autora soube relacionar a vida destas duas mulheres, com décadas a separá-las, de forma sublime e encantadora.
 
Uma leitura inesquecível que recomendo sem reservas.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

LEITURAS 2014



JANEIRO:
1 - Quando o Cuco Chama - Robert Galbraith
2 - As Lágrimas de Lúcifer - James Thompson
3 - O amor é uma canoa - Ben Schrank
4 - Boda Mexicana – Sandra Sabanero
5 - Alma Rebelde – Carla M. Soares
6 - Feminino Singular - Sveva Modignani
7 - O Menino de Cabul - Khaled Hosseini


FEVEREIRO:
8 - Dias de Paixão - Sarah Pekkanen
9 - A Dança da Vida - Gustavo Santos
10 - Almas Gémeas - Alan e Irene Brogan
11 - O Barão - Sveva Modignani
12 - A Casa com Alpendre de Vidro Cego - Herbjorg Wassmo
13 - A Promessa - Lesley Pearse
14 - Uma Vida ao Teu lado - Nicholas Sparks
15 - As Gotas de um beijo - Carina Rosa

MARÇO:
16 - Os Níveis da Vida - Julian Barnes
17 - Tenho o Teu Número - Sophie Kinsella
18 - Cavalo de Fogo - Congo - Florencia Bonelli
19 - A Sentinela - Richard Zimler
20 - A Confissão da Parteira - Diane Chamberlain
21 - A Herança - Katherine Webb
22 - A Lista da Nossa Mãe - St. John Green
23 - O Fio Perdido - Patrícia Carreiro
24 - Espero Por Ti - Jennifer Armintrout
25 - Força de Vontade - James Patterson
26 - A Viela da Duquesa - Sveva Modignani

ABRIL:
27 - Já ninguém morre de amor - Diogo Amaral
28 - A Rapariga que roubava livros - Markus Zusak
29 - O Abrigo da Esperança - Debbie Macomber
30 - A Beleza das Coisas Frágeis - Taiye Selasi
31 - Apaixonada por um Milionário - Ruth Cardello
32 - Tatiana - Paullina Simons

MAIO:
33 - A Beleza das Coisas Frágeis - Taiye Selasi
34 - Sonhos de Papel - Ruta Sepetys
35 - Laços de Vida - Debbie Macomber
36 - Primeiro Amor - James Patterson
37 - A verdade sobre o caso Harry Quebert - Joel Dicker
38 - No canto mais escuro - Elizabeth Haynes
39 - Pensa Num Número - John Verdon
40 - Romance em Amesterdão - Tiago Rebelo

JUNHO:
41 - Para onde vão os guarda-chuvas - Afonso Cruz
42 - O Segredo do Meu Marido - Liane Moriarty
43 - Dez - Jorge Santos
44 - A Filha do Barão - Célia Loureiro
45 - Quando Éramos Mentirosos - E. Lockhart
46 - O Jogo de Ripper - Isabel Allende

JULHO:
47 - NYPD Red 2 - À Margem da Lei - James Patterson
48 - Tornado - Sandra Brown
49- Perdoa-me - Lesley Pearse
50 - Quando o Teu Coração Parou - Sarah Pekkanen

AGOSTO:
51 - Aço - Silvia Avallone
52 - Reencontro em Barcelona - Elizabeth Adler
53 - Enquanto Houver Estrelas no Céu - Kristin Harmel
54 - O Jardim das Memórias - Amy Hatvany
55 - Os Aromas do Amor - Dorothy Koomson
56 - A Minha Outra Metade - Marianne Kavanagh
57 - A Improvável Viagem de Harold Fry - Rachel Joyce

SETEMBRO:
58 - A Rainha Descalça -Ildefonso Falcones
59 - O Nadador - Joakim Zander
60 - Alexander - Paullina Simons
61 - O meu cão sobreviveu e eu também - Teresa Rhyne

OUTUBRO:
62 - Um Amor Perdido - Anna MacPartlin
63 - Até Que sejas Minha - Samantha Hayes
64 - A Primeira Vista - Nicholas Sparks
65 - Amanhecer ao Luar - Jude Deveraux

NOVEMBRO:
66 - Uma Casa no Campo - Elizabeth Adler
67 - Morte Numa Noite de Verão - Kjell Ola Dahl
68 - Paixão Sem Limites - Abbi Glines
69 - Uma Semana Para Te Amar - Monica Murphy
70 - Envolvidos - Emma Chase
71 - Em Segredo - Catherine McKenzie
72 - Noivas de Guerra - Anthony Capella

DEZEMBRO:
73 - És o Meu Destino - Lesley Pearse
74 - A Mulher de Verde - Arnaldur Indriðason
75 - Enrolados - Emma Chase


Objetivo atingido ;) bem longe dos cem e dos duzentos de outros tempos mas ainda assim foi bom!!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mais umas leituras!!



AGOSTO:
51 - Aço - Silvia Avallone
52 - Reencontro em Barcelona - Elizabeth Adler
53 - Enquanto Houver Estrelas no Céu - Kristin Harmel
54 - O Jardim das Memórias - Amy Hatvany
55 - Os Aromas do Amor - Dorothy Koomson
56 - A Minha Outra Metade - Marianne Kavanagh
57 - A Improvável Viagem de Harold Fry - Rachel Joyce
SETEMBRO:
58 - A Rainha Descalça -Ildefonso Falcones
59 - O Nadador - Joakim Zander
60 - Alexander - Paullina Simons
61 - O meu cão sobreviveu e eu também - Teresa Rhyne

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Até Que sejas Minha - Opinião




Este foi um melhores livros que nos últimos tempos. Muito bom! Um thriller muito bem escrito, um enredo que me agarrou desde o inicio e me surpreendeu por completo. Intenso e arrepiante!
Adoro quando os livros dão estas reviravoltas inesperadas e neste caso, a autora fê-lo de uma forma assustadoramente bem feita. A autora explorou as emoções e os comportamentos humanos com mestria e tudo encaixou de uma forma surreal. Estou encantada com a intensidade que a autora conseguiu transmitir ao livro e fiquei completamente fã de Samantha Hayes.

Por um lado temos a gravidez de Claudia, uma Assistente Social, casada com um oficial da Marinha que está quase sempre fora, que vai ser mãe pela primeira vez e que tem dois enteados gémeos ao seu encargo (filhos de Sam e cuja mãe morreu). Ela contrata uma ama porque vai precisar de ajuda assim que a bebé nascer e está a adaptar-se ao facto do marido estar mais uma vez fora e ao facto de ter uma estranha em casa, Zoe, a nova ama.

E por outro lado,  a investigação que os policias Adam e Lorraine (marido e mulher) levam a cabo para tentar prender um assassino que anda a matar mulheres grávidas e a praticar um crime horrendo, retirando o bebé da barriga da mãe. O próprio casal de policias também tem os seus problemas familiares, entre si e com a filha de ambos, Grace. esta problemática vai sendo explorada ao longo do livro, a par com os crimes que vão ocorrendo.

Aparece-nos ainda a personagem Cecília, cuja relação com Zoe não é completamente explicita de inicio e pode induzir nalguns erros. A seu tempo, as peças vão encaixando. Fui tendo algumas dúvidas à medida que ía devorando o livro, mas tudo fica esclarecido.

Tendo sido mãe há pois mais de um ano e sendo Assistente Social de profissão, este livro despoletou em mim sentimentos intensos e contraditórios.  A questão da maternidade, uma obsessão, o desejo de ter um filho e a frustração de não conseguir são problemáticas abordadas ao longo da narrativa e de forma credível e assustadora.

Esta é uma leitura que recomendo sem reservas, principalmente para quem gosta de um bom thriller psicológico e de suspense até à ultima página! 
Fico ansiosamente à espera que saia o próximo livro da autora.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Estou Nua, E Agora? - OPINIÃO



Este foi o primeiro livro que li de Francisco Salgueiro e confesso, vou querer ler mais. Achava que ía ler um livro divertido, levezinho e que me ía dar uns momentos de prazer. Foi isso que aconteceu? Não! Foi muito mais do que isso. Este livro ultrapassou largamente as minhas expetativas. Por vários motivos e aqui prende-se em grande escala com os meus gostos pessoais e com as minhas experiências. Adorei ler as aventuras de Alex na Tailândia (recordou-me da minha lua de mel que foi passada lá), adorei ler sobre Portugal (é uma sensação maravilhosa estarmos a ler sobre o nosso país e sobre os cantos e recantos que tão bem conhecemos. Até a minha Coimbra do coração, com a sua história de Pedro e Inês, lá aparece. Maravilhoso!), adorei ficar a perceber melhor o Couchsurfing porque é uma experiência que adorava ter (e Alex teve-a em grande!)
 
Mas comecemos do princípio: Alex termina os seus estudos e está prestes a começar a sua experiência de trabalho, em Nova Iorque, nos escritórios do pai da sua amiga. Mas a festa de despedida muda por completo o rumo dos acontecimentos e em vez de estar no avião para Nova Iorque ela vai para Reno e encontra-se num evento que mudará a sua vida. Esta história está repleta de aventuras e de peripécias, faz-nos rir à gargalhada, faz-nos ficar com o coração apertadinho e orgulhosos de Alex.
Adorei ver a forma como Alex cresceu enquanto pessoa, como se tornou numa pessoa mais forte, com uma personalidade vincada, completamente diferente do espirito derrotista inicial.
 
Os personagens que se vão cruzando no caminho de Alex são também eles muito interessantes e com histórias de vida que nos fazem querer saber sempre mais. Bobby é um encanto e ficou guardado no meu coração.
 
Quem não gostaria de arriscar, deixar tudo para trás e partir a aventura? Parece coisa de filme mas Alex fê-lo e esta história é bem real, documentada com fotografias que nos fazem querer estar lá também!
O livro está escrito de uma forma ligeira e que capta bem tudo o que aconteceu a Alex. Parece que estamos a viver tudo com ela. E tanta coisa aconteceu. Têm mesmo de ler este livro!
Ah, claro que amei a parte que diz respeito ao Francisco Salgueiro. O que um autor não faz para ajudar a resolver uma história de amor? Muito bom!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Rainha Descalça - Opinião


 
 
Caridad, escrava desde que nasceu, viaja com o seu amo em Espanha, vinda de Cuba. Com a morte daquele, ela torna-se numa mulher livre, não sem antes sofrer às mãos de malfeitores. Até que encontra Melchor Vega e o rumo da sua vida muda mais uma vez. Quando se cruza com Milagros, neta de Melchor, as duas estabelecem uma amizade improvável. E é assim que a vida de uma escrava negra se confunde nas tradições e rituais ciganos e empresta a este livro cenários mágicos e ritmos exóticos vindos das culturas dos escravos e dos ciganos. As danças voluptuosas cruzam-se com cantos sensuais, levando ao limite a imaginação dos que assistem enfeitiçados.
Uma narrativa mágica que nos conta a história e as tradições ciganas, as rusgas e perseguições a que foram submetidos em Espanha, ao mesmo tempo que vamos sabendo do destino das personagens principais.

Milagros, contra tudo e contra todos, casa com Pedro Garcia e, ao fazê-lo, é renegada pela mãe, Ana Vega, por se casar com um membro de uma família que atraiçoou Melchor Vega e que fez com que este passasse dez anos preso. Depressa se apercebe do erro que cometeu, mas é uma mulher cigana, casada e tem que honrar o compromisso.
Caridad acaba por se separar da amiga e vai com Melchor tentar libertar a filha deste, presa em Madrid - na rusga de 1749 quando um decreto do Rei considerou todos os ciganos como se de uma praga se tratasse e que deveriam ser banidos de Espanha, tendo acabado todos, os que não conseguiram fugir, encarcerados - mas o destino faz com que se separem e Caridad vê-se novamente sozinha e acaba presa.

Vão ser anos de encontros e desencontros, repletos de acontecimentos que nos deixam de coração apertado e lágrimas nos olhos perante injustiças brutais.

Não conhecia o escritor deste livro magnífico, mas, pela pesquisa que fiz, fiquei curiosa em ler "A Catedral do Mar", um êxito mundial.
Para quem gosta de romances históricos, "A Rainha Descalça" é uma leitura obrigatória.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Últimas leituras!



Como podem reparar, o mês de Julho teve uma grande quebra :)
Já andamos a tentar voltar ao ritmo!

JUNHO:

41 - Para onde vão os guarda-chuvas - Afonso Cruz
42 - O Segredo do Meu Marido - Liane Moriarty
43 - Dez - Jorge Santos
44 - A Filha do Barão - Célia Loureiro
45 - Quando Éramos Mentirosos - E. Lockhart
46 - O Jogo de Ripper - Isabel Allende

JULHO:

47 - NYPD Red 2 - À Margem da Lei - James Patterson
48 - Tornado - Sandra Brown
49- Perdoa-me - Lesley Pearse
50 - Quando o Teu Coração Parou - Sarah Pekkanen
   

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A Filha do Barão - OPINIÃO



Na minha opinião A Filha do Barão é a consagração de Célia Loureiro. Depois de já ter gostado dos livros anteriores, este superou-os largamente e deixou-me ansiosa à espera da continuação.

A escrita é mais madura, a narrativa envolvente e para quem gosta de romances históricos, este livro representa um pequeno céu! Personagens que nos cativam, cenários e dados históricos muito interessantes e que nos fazem recuar na história do nosso país e viver um pouco daquilo que os portugueses viveram naqueles anos tão turbulentos.

A história de Mariana e Daniel parece-me, no inicio, difícil de resultar. Ainda que naquela época fosse natural o casamento arranjado, não é fácil conceber esse arranjo tendo em conta que a noiva tem quatorze anos e não sabe nada da vida. Mas Mariana é uma menina especial, com uma personalidade vincada e que cresce rapidamente. Acabei por me encantar por Mariana, pelo seu jeito, pela sua vontade de ser menina e mulher ao mesmo tempo.

Daniel, o inglês amigo do pai de Mariana, é um homem honrado e que está disposto a acatar o pedido do seu amigo moribundo, de casar com a sua filha e velar por ela e pela mãe desta, D. Sofia. 
Depois de deixar Mariana e D. Sofia na Quinta em Lordelo, junto com a sua mãe e irmã, ele parte para o Porto e apesar do compromisso assumido, sucumbe aos encantos de Isabel e vive com ela uns meses  em pecado. No entanto, quando a sua nova família precisa de si ele parte em seu auxilio. 

A autora conseguiu juntar vários pontos que enriqueceram o livro sobremaneira: a vertente histórica que é riquíssima, o romance de Daniel e Mariana (com traições, alianças e novos sentimentos para apimentar a relação), a amizade de Mariana com Zé, a relação turbulenta de Mariana com D. Sofia (a forma como a relação evoluiu é brilhante. As duas situações dos partos revelam a capacidade da autora de, em momentos dramáticos, trazer humor e aligeirar os nervos dos leitores. E claro, o que aconteceu a Amélia? O enigma do livro.

O que não apreciei tanto foi o aparecimento de Gustave e o impacto que terá na vida dos demais Penso que com o Zé faria mais sentido. Quem já leu, entende o que quero dizer. Também não entendi muito bem a personagem de Maria. Entendo a sua frustração mas achei demasiado o facto de ela se ter empenhado tanto em denegrir a imagem de Mariana (colocando até a sua vida em perigo) quando esse ódio não foi assim tão importante na narrativa ou sequer explorado. Penso que a doce Nuna não merecia um desfecho tão triste. Gostava de ter visto um final mais feliz para esta personagem tão doce e carinhosa. E por fim achei um pouco exagerado Daniel ter levado Isabel para  a Quinta do Lordelo e ter inclusive usado Mariana para conseguir esse feito. Por mais preocupação que tivesse para com Isabel, Daniel deveria ter arranjado outra solução, pois colocou em risco a sua relação com Mariana e acho que ela não merecia tamanha humilhação.

Para finalizar este comentário devo dizer que me orgulho por este livro ter sido escrito por uma autora portuguesa. Sem dúvida que merece ter destaque numa estante de qualquer livraria e deve ser presença obrigatória na biblioteca pessoal de todos os amantes dos livros.

Parabéns Célia Loureiro.

terça-feira, 1 de julho de 2014

NYPD RED - À Margem da Lei - Opinião



Este livro é a continuação da saga NYPD RED, a policia de excelência da cidade de Nova Iorque. A dupla de detectives Zach Jordan e Kylie MacDonald volta para resolver mais um grande caso, com detalhes sombrios e cuja solução inesperada os vai deixar assombrados.
Mais uma vez o autor escreveu um livro viciante, com capítulos curtos e que nos deixam curiosos para ler o próximo. Quando nos apercebemos, estamos no final do livro. 

Muita adrenalina, crimes estrategicamente pensados e executados sem deixar rasto, e ao mesmo tempo uma tentativa de se fazer justiça face ao congestionado sistema criminal. Pelo meio algum romance para aliviar a tensão. É com isto que podemos contar neste livro.
Anda um assassino à solta em Nova Iorque. A equipa que está a investigar não avança e quando o quarto crime ocorre e a vitima é uma muito conhecida personagem da sociedade, a RED entra em acção. Pressionados pelo Presidente da Câmara para descobrirem o assassino, eles têm sete dias para deslindar o caso, antes das eleições e antes que a concorrente do Presidente faça tudo o que estiver ao seu alcance para dificultar a investigação, pois dessa forma provaria a ineficácia dos que lideram a politica nova-iorquina.
O assassino Hazmat é visto por uns como o justiceiro (o seu modus operandi é raptar a vitima e conseguir uma gravação de video da mesma a confessar um crime que esta tenha cometido antes de a matar e "fazer justiça") e por outros como a propagação da criminalidade e da violência.

Aquela que está destinada a ser a quinta vitima foi acusada de ter morto a sua filha pequena e de ser uma mãe negligente por deixar a filha em casa sozinha e ir para o bar na rua beber uns copos. Surpreendentemente ela é ilibada pelo júri e o "justiceiro" sente que tem que fazer justiça. Mas e se ela for realmente inocente? E se for, depois de já ter sido raptada, não será tarde demais para voltar atrás?

A par desta história conhecemos ainda Dave e o amigo que vivem numa zona problemática com gangues e máfia italiana à mistura. Quando a sua irmã é violada por Enzo, Dave e o amigo decidem vingar-se e acabam por matá-lo. Esse acontecimento ficou lá atrás no passado e nem a irmã de Dave, Meredith sabe o que aconteceu. Quando menos esperarem, o passado virá atormentá-los.

Em relação à nossa dupla de detectives, ficamos a saber que depois dos acontecimentos relatados no primeiro livro, o marido de Kylie, acabou por ficar dependente dos medicamentos e está a por em risco as carreiras de ambos, assim como o feliz casamento. Já Zach quer ajudá-la mas tem alguma dificuldade visto que nunca esqueceu Kylie completamente, mesmo tendo ela trocado Zach pelo actual marido. Além disso Zach está feliz com a sedutora psicóloga que o ajudou a reerguer-se e cujo romance está no inicio do caminho.

Apesar de conseguirmos perceber quem está a praticar os crimes, o livro não perde o interesse por isso. A leitura manteve o ritmo alucinante até ao final e é um livro que recomendo.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Quando Éramos Mentirosos - Opinião




O livro chamou-me a atenção pelo título e pela capa. O facto de ser uma estreia a nível mundial também me deixou curiosa. E ainda bem que tive oportunidade de o ler.

Cadence, Johny, Mirrene e Gat compõem o grupo dos mentirosos. Eles encontram-se todos os Verões na ilha privada dos Sinclair, uma família rica, de classe alta e com gostos requintados mas que na realidade vive para as aparências e onde os seus membros estão mais interessados nos bens materiais do que noutra coisa qualquer. A felicidade está a par com aquilo que possuem.

Este é daqueles livros que se lê de um fôlego. Com uma escrita clara e fluída, vamos acompanhando o presente e o passado, principalmente os Verões quinze (o número corresponde á idade de Candence) e dezassete. Por vezes a narrativa pode parecer algo confusa e ficamos com a sensação que falta algo, que alguma coisa não está bem explicada. No final, tudo fica claro como água e conseguimos não só entender o que aconteceu no Verão em que Cadence tinha quinze anos como também alguns dos desenvolvimentos posteriores e comportamentos de alguns elementos, nomeadamente da mãe.

Entendo este livro como uma análise ás famílias disfuncionais. Famílias que deixam que os bens materiais falem mais alto, que usam os filhos em benefício próprio, que para obter o objecto dos seus desejos não olham a meios. E por vezes isso pode ser o suficiente para acender o rastilho. Os dramas familiares tornaram tudo mais explosivo: divórcios, um elemento de uma classe mais baixa, uma mulher abandonada pelo marido...tudo encoberto para o exterior, pela capa da normalidade. 

Os sentimentos estão implícitos (sim porque nesta família não é permitido revelar o que se sente e tudo tem que ser escondido dentro de cada um) em toda a narrativa: a dor da perda, a angústia do desconhecimento, a alegria da juventude, o prazer do primeiro amor, a felicidade da amizade...todos eles se cruzam e levam as vidas dos Mentirosos e da família Sinclair ao limite, deixando o leitor arrebatado e no final, em estado de choque.

Leitura compulsiva. Final surpreendente e inesperado. Altamente recomendado. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O Segredo do meu Marido - Opinião



Se quer um livro para devorar, daqueles que não conseguimos largar, este é O livro. Prende-nos logo desde as primeiras páginas, quando Cecília encontra por acaso uma carta que o marido lhe escreveu, para ler após a sua morte. Os dados estão lançados: será ela capaz de não ler a carta?

Este livro conta-nos a história não só de Cecília, mas também de Tess e de Rachel.
Cecília é uma mãe envolvida na comunidade e na escola dos filhos, tem listas intermináveis e uma vida organizada meticulosamente . Até que A carta vem dar um abanão na sua vida. Quando percebe que o marido John-Paul ficou transtornado e faz tudo para encontrar a carta (apesar de lhe ter dito que era uma carta sem importância) ela acaba por querer saber a razão de tal desespero e o seu mundo desaba.

Tess é uma mãe e esposa feliz até o marido e a prima, e melhor amiga, lhe dizerem que se apaixonaram. Parte com o filho Liam e a sua dor para casa da mãe, para sarar as feridas e dar um rumo na sua vida.

Rachel é uma mulher viúva cuja filha foi assassinada aos dezassete anos. O facto de nunca ter sido descoberto o assassino fez com que a sua vida tenha parado há muitos anos atrás. Mas ela tem quase a certeza de quem matou a sua filha. E, ainda por cima, ele trabalha na mesma escola que ela. O que estará ela disposta a fazer para apurar a verdade? Principalmente agora que a única alegria da sua vida, o seu neto Jacob, vai partir para Nova Iorque com os pais. 

O livro está repleto de dramas e mistérios do passado que adensam a narrativa e nos fazem querer descobrir os segredos das personagens. Apesar da revelação ter sido feita mais ou menos a meio do livro, a autora consegue que o leitor continue agarrado à leitura, porque na verdade há que saber como tudo vai ser resolvido.

Num cenário pacato e numa comunidade onde a entre-ajuda é a palavra de ordem, como irão eles reagir aos acontecimentos que estão prestes a abanar a estrutura familiar das famílias destas mulheres? 
Dilemas familiares, antigas alianças ameaçadas, laços de família que falam mais alto do que os valores morais, segredos revelados que irão abanar as certezas de algumas personagens.

E o epílogo? O melhor que já li. Achei fascinante a forma como a autora terminou o livro. É mágico, faz-nos pensar... muito. Adorei. Um livro fantástico.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Dez - Opinião



Este livro foi uma agradável surpresa. Apesar da forma como o autor estruturou o livro não ser a minha preferida (nem tão pouco a considero funcional ou apelativa), a verdade é que a história em si, o mistério e os segredos da família Branco e dos personagens que a envolvem cativou-me o suficiente para considerar este um bom livro.

Começamos por conhecer Francisco Branco que acaba de falecer com a idade de cem anos. Teve uma vida longa, rodeado da sua adorada família e da sua Quinta no Douro, passando a juventude no Porto e os estudos em Coimbra. 

O livro começa então com a morte de Francisco no ano 2000 e em cada um dos DEZ capítulos ele vai recuando uma década até chegar ao ano de 1910, o ano em que Francisco nasceu e foi deixado numa instituição para crianças. Toda a sua vida ele procurou as suas raízes, procurou saber de onde vinha, quem foram os seus pais. Será preciso morrer para o descobrir?
Quando morre ele tem à sua volta a filha Luísa e o marido desta, Richard, a mulher Joana,  o neto Alexandre e a bisneta Inês.

São as vidas de Francisco, Luísa e Alexandre que vamos vendo recuar no tempo, década após década. Pela vida deles passa Suzana - a mãe de Luísa -  Catarina, o primeiro amor de Francisco e Virgínia, a mãe de Catarina e que impediu o amor dos dois.

Pela vida de Luísa, antes de Richard (que conheceu inicialmente para comprar a Quinta dos Prazeres e acabou por ajudar a reconstruí-la e a ficar na família) passou Inácio, seu primeiro marido e com quem teve Alexandre, um menino muito especial. Este casamento rapidamente desmorona e Luísa deixa-se apanhar pelas garras de Manuel, mesmo sabendo da sua fama, ela está desejosa de amor. Mas este amor acaba em tragédia e o filho Alexandre acaba preso e Manuel acaba por ficar com a casa de Luísa que foi o que sempre lhe interessou. Desta história sórdida que envolve um bordel, vícios e prostitutas, salva-se o amor que nasceu entre Alexandre e Adelaide.

Suzana é uma personagem bastante interessante. Cativa Francisco desde que este pisou a Quinta no Douro pela primeira vez. Ele apaixona-se e está disposto a esperar que ela recupere dum desgosto de amor. Acaba por conseguir a sua atenção e espera que ele acabe os estudos de Direito em Coimbra para poderem casar. Vão viver para o Porto mas Clara, a mãe adoptiva de Francisco, desejava mais para o seu filho e não morre de amores pela nora, pelo que esta, enquanto ele está em Coimbra, vagueia pelas ruas do Porto, primeiro estranhando o rebuliço da cidade, mas depois deixando que ele se entranhe na pele. No dia do casamento tanto Suzana como Francisco têm histórias mal resolvidas e por isso anos mais tarde acabam por divorciar-se. Suzana acaba por passar pelo Brasil e ir de lá com o companheiro para uma Angola revolucionária e temendo pela vida, é ajudada pelo enteado Tomás a regressar a Lisboa. Nas suas horas de demência, anos mais tarde, é de Tomás que ela recordará com mais afinco.

Catarina é também uma personagem cativante, misteriosa e aventureira. Quando a mãe se suicida, ela perde o rumo e acaba institucionalizada. Anos mais tarde quando tenta recuperar a sua vida ao lado de um Francisco que nunca deixou de amar, descobre um segredo com o qual não é capaz viver e despede-se de Francisco com um bilhete. Só no final compreendemos a verdadeira dimensão destes segredos familiares e dos "e se's..." da vida!

É um leque valioso de personagens que se misturam do Porto até à Régua, passando pelos tumultos da revolução do 25 de Abril, andando para trás até à constituição da primeira Republica.
Acompanhamos Francisco e os seus segredos desde que morre até ao mistério do seu nascimento e no final fico com a sensação que deveria ler o livro outra vez, para melhor o compreender, pois há coisas referidas no inicio que na altura não nos dizem muito mas com o recuar dos anos, compreendemos a sua importância.

Posso dizer que este livro foi mais do que estava à espera e, à excepção do Epílogo, seria engraçado tentar ler os capítulos a começar pelo último até ao primeiro, pois era dessa forma que gostava que o livro tivesse sido escrito.

sábado, 14 de junho de 2014

Das leituras do Ano (até agora)!!


JANEIRO: 

1 - Quando o Cuco Chama - Robert Galbraith 
2 - As Lágrimas de Lúcifer - James Thompson 
3 - O amor é uma canoa - Ben Schrank 
4 - Boda Mexicana – Sandra Sabanero 
5 - Alma Rebelde – Carla M. Soares 
6 - Feminino Singular - Sveva Modignani 
7 - O Menino de Cabul - Khaled Hosseini


FEVEREIRO:

8 - Dias de Paixão - Sarah Pekkanen
9 - A Dança da Vida - Gustavo Santos
10 - Almas Gémeas - Alan e Irene Brogan
11 - O Barão - Sveva Modignani
12 - A Casa com Alpendre de Vidro Cego - Herbjorg Wassmo
13 - A Promessa - Lesley Pearse
14 - Uma Vida ao Teu lado - Nicholas Sparks
15 - As Gotas de um beijo - Carina Rosa

MARÇO:

16 - Os Níveis da Vida - Julian Barnes
17 - Tenho o Teu Número - Sophie Kinsella
18 - Cavalo de Fogo - Congo - Florencia Bonelli
19 - A Sentinela - Richard Zimler
20 - A Confissão da Parteira - Diane Chamberlain
21 - A Herança - Katherine Webb
22 - A Lista da Nossa Mãe - St. John Green
23 - O Fio Perdido - Patrícia Carreiro
24 - Espero Por Ti - Jennifer Armintrout
25 - Força de Vontade - James Patterson
26 - A Viela da Duquesa - Sveva Modignani

ABRIL:

27 - Já ninguém morre de amor - Diogo Amaral
28 - A Rapariga que roubava livros - Markus Zusak
29 - O Abrigo da Esperança - Debbie Macomber
30 - A Beleza das Coisas Frágeis - Taiye Selasi
31 - Apaixonada por um Milionário - Ruth Cardello
32 - Tatiana - Paullina Simons

MAIO:

33 - A Beleza das Coisas Frágeis - Taiye Selasi
34 - Sonhos de Papel - Ruta Sepetys
35 - Laços de Vida - Debbie Macomber
36 - Primeiro Amor - James Patterson
37 - A verdade sobre o caso Harry Quebert - Joel Dicker
38 - No canto mais escuro - Elizabeth Haynes
39 - Pensa Num Número - John Verdon
40 - Romance em Amesterdão - Tiago Rebelo

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert - Opinião



Posso dizer que é um grande livro. Andava curiosa para ler o famoso A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert e, no geral, é um óptimo livro, com um ou outro ponto menos positivo.
Falando já do que não me agradou: acho que houve partes que podiam ter sido dispensadas, retirando algum do peso (real) do livro sem que este fizesse qualquer falta. A repetição muitas vezes dos mesmo acontecimentos pode tornar-se entediante e confusa. Outra questão: é importante para o leitor não descobrir à primeira quem é o assassino, mas nem por isso o autor tem que tornar toda a gente suspeita. Isso acaba por descrebilizá-lo um pouco.
Tudo o resto é muito bom. O suspense, a intriga, as personagens. Tudo nos leva a devorar o livro, a querer conhecer Nola Kellergan, pois sem dúvida que ela é bem mais do que inicialmente poderíamos pensar, a querer saber o que fez realmente Harry Quebert. E claro, nenhuma das nossas respostas estará sequer perto daquilo que vamos descobrir, porque nesse aspecto o autor foi mestre, foi sábio e engenhoso. Adorei todas as descobertas, principalmente sobre o passado de Harry e sobre a infância de Nola.
Marcus Goldman tem que escrever um novo livro. Depois de meses sem escrever uma linha ele começa a ficar preocupado e decide visitar o seu antigo professor e mentor, Harry Quebert. Talvez a tranquilidade de Aurora, onde Harry vive, seja suficiente para fazer Marcus voltar a escrever. No entanto, tal não acontece e Marcus começa a desesperar, com prazos de entrega a terminar, sujeita-se a um processo em tribunal e a ter que devolver á editora o dinheiro que já recebeu e a ser processado em vários milhões.
E é então que um corpo é encontrado, um homem é preso e há toda uma história para investigar. Mistérios, segredos, mentiras...começa aqui a história para o livro de Marcus. E que história...é nada mais nada menos do que a vida e o passado do seu único amigo, Harry Quebert, que Marcus julgava conhecer mas afinal...
Um livro viciante e que recomendo sem reservas!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sonhos de Papel - Opinião



O nome da autora chamou-me a atenção. Simplesmente porque escreveu um dos melhores livros que já li: O Longo Inverno. Depois a bonita capa e a sinopse fizeram-me querer lê-lo. E ainda bem que  o fiz. 
Adorei o cenário e a época escolhidos pela autora. É fácil imaginar o ambiente, a cidade, as pessoas. A autora fez uma bela descrição dos locais e dos personagens, no entanto, num cenário onde se respira prostituição, crime e máfia, esperava uma acção mais complexa e pesada e menos cor-de-rosa.
Depois de ler o outro livro da autora confesso que a fasquia estava alta, as expectativas eram grandes e ficou longe de me deixar com o mesmo sentimento de O Longo Inverno, mas ainda assim é um livro que adorei e que recomendo. 

Josie é a nossa protagonista. Conquistou-me desde a primeira página. Ela é filha de uma prostituta mas ambiciona muito mais para si própria. Vive e trabalha numa livraria para pagar o alojamento. É amiga do dono (e do filho) que a salvou das garras da mãe. O próximo passo é decidir se quer seguir com os estudos e para que universidade irá. Apesar de tudo à sua volta lhe dizer que está a ambicionar mais do que pode ter, afinal é a filha de uma prostituta que vive num bairro degradado, ainda há pessoas que acreditam no seu valor e lhe dão força para tentar. Adorei a sua paixão pelos livros, pelo facto de nunca os largar e de os amar verdadeiramente.

Será que o peso do passado será suficiente para quebrar Josie? Para lhe travar os sonhos?

A mãe de Josie é completamente inconsequente e alheia da realidade. Sempre viu a filha como um estorvo, um impecilho que não lhe permitiu ser uma estrela e por isso sempre teve uma relação distante com ela e sempre nutriu algum resentimento por Josie, como se esta fosse culpada por ter nascido. É ao mesmo tempo uma mulher tonta, que acredita estar apaixonada e que irá ter a sua oportunidade na vida. Faz por ignorar que o namorado está ligado ao crime e à máfia e só quer ser amada e desejada. É capaz de roubar a própria filha e de a deixar em maus lençóis sem qualquer remorso e sem olhar para trás.

Um dos cenários que mais gostei foi do bordel e de Willie, a Madame e "mão de ferro" mas com coração de manteiga. Esta quer mostrar um coração de pedra, impor o respeito junto das suas "raparigas" mas nutre um afecto muito especial por Josie, apesar de não o demonstrar, muito mais do que a própria mãe de rapariga.
Na acção temos um misterioso assassinato que vai acabar por envolver Josie. No entanto este drama acaba por estar sempre a meio gás, intercalado com outras situações que parecem quase triviais e retiram o interesse do crime.

Misturado com um ambiente de subornos, prostituição, crimes e mafiosos, a autora conseguiu fazer emergir o brilho de Josie, a amizade dos que a protegem, a descoberta do primeiro amor, a luta para vencer os estigmas do passado familiar e da vontade de ir em busca dos seus sonhos. Uma leitura que recomendo.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Primeiro Amor - Opinião



Este é talvez dos autores mais versáteis que conheço. Escreve de forma soberba vários géneros literários e os seus livros são por norma grandes sucessos. Este, infelizmente, não teve o mesmo efeito que outros já tiveram. Achei a narrativa monótona, não havia muito por onde pegar e não me cativou por aí além.

Axi é uma adolescente com uma personalidade forte. A mãe morreu e o pai vive alheado dos seus deveres parentais. Ela quer sobretudo ser invisível. Até ao dia em que decide deixar de ser a menina certinha e obediente e desafia o seu melhor amigo a partirem na viagem das suas vidas. 

O livro conta-nos essa aventura ao mesmo tempo que nos vai desvendando as vidas de Axi e Robinson. Ambos têm já uma vida carregada de sofrimento e a empatia que têm salta à vista. A este nível não há muito a dizer: vamos seguindo os dois amigos que irão descobrir ao longo da viagem que há algo mais que os une, vamos acompanhando as aventuras e as peripécias, os medos e os imprevistos e a inevitabilidade da vida, da qual não é possível fugir.

Passa uma bonita mensagem, de como devemos viver sem medos, de como devemos arriscar e quando a vida não nos sorri, devemos ser capazes de fazer o luto e seguir em frente. 

sábado, 17 de maio de 2014

Já ninguém morre de amor - Opinião



Foi a minha estreia com este autor e é sem dúvida para repetir. Quero ler muitos mais autores portugueses, este foi sem dúvida um dos melhores. Uma escrita inteligente, ironia q.b., uma história bem construída e personagens apelativos.
Esta é a história da família Palma Lobo e Salvador, o último Palma Lobo,  pede ao seu melhor amigo que escreva a biografia da sua família, que vá de Maputo ao Brasil, que comece pela história do seu bisavô e acabe por esclarecer a morte do seu pai. Este livro é esse caminho, essa história repleta de inúmeras histórias, todas elas cativantes e intrigantes
.
Muitos são os segredos desvendados: Roberto Palma afinal era filho de um negro e essa é a primeira revelação da história da família e que pode explicar o facto dos membros da família terem um órgão sexual generoso. Este elemento da família (tal como os outros) tem um fim trágico, aliado à paixão por uma mulher que lhe escapou e que o "obrigou" a simular a morte para evitar vergonhas. É na herdade que têm no Alentejo que ele e os filhos choram junto ao túmulo vazio. Quando morre, Roberto deixa dois filhos órfãos, sendo que um deles acaba por se enforcar de forma bizarra. O irmão Álvaro (bisavô de Salvador) irá crescer na herdade, sucumbindo aos prazeres da carne descontrola-se e acaba por ficar com muito má fama no Alentejo. Depois dum casamento falhado foge para Luanda onde continua a sua saga sexual. Neste ponto o autor foi brilhante, relacionando este comportamento (trata-se de usar a mulher como objecto e depois livrar-se dele) com a ausência da mãe e a descoberta que fez que a mesma não tinha morrido mas antes fugido para o Brasil. O ódio pela mãe é libertado em todas aquelas que se cruzam no seu caminho. Ao casar vai protagonizar uma história com duas irmãs gémeas onde mais uma vez o autor dá mostras do seu talento. Achei todo o enredo formidável. Regressa a Lisboa e casa pela terceira vez e tem dois filhos. Aparentemente está mais calmo e parece ter resolvido todas as questões com os seus demónios, mas notícias da mãe que está no Brasil trazem tudo ao de cima e ele acaba por voltar aos velhos hábitos, morrendo em pleno acto sexual. Hilariante!

Jorge, filho de Álvaro cresce no Alentejo e vai para Lisboa estudar. Numa vida desregrada acaba por engravidar a namorada e nasce Salvador e mais tarde, já no Alentejo, nasce Luís, irmão de Salvador.

Com a instabilidade política do 25 de Abril a família vai para o Brasil onde Jorge acaba por morrer. Salvador quer descobrir se foi suicídio ou homicídio. Outra história mirabolante e que me fez "dar mais uns pontos" ao autor.

A família regressa a Portugal e acompanhamos a sua história. Até Salvador, que se apaixonou por Joana e que sabe, irá morrer de amor por ela. Ao mesmo tempo que o narrador nos vai contando a história desta família, ele vai-nos dando conta dos dados do presente. Ele encontra-se num banco de hospital onde o seu melhor amigo está entre a vida e a morte e já sabe no seu íntimo, o desfecho desta história.

É uma saga apaixonante, marcada por segredos, surpresas e intrigas, onde o amor é o fim de todos os males.
Um autor a seguir.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Laços de Vida - Opinião



Há livros que nos fazem querer lê-los antes mesmo de espreitarmos a sinopse. Neste caso o nome da autora e a belíssima capa foram motivos suficientes. Depois então a sinopse, aguçou-me a curiosidade.
É um livro de leitura fácil, com uma história doce e melosa mas também com alguns dramas pelo meio. 

Libby é uma mulher determinada. Ainda adolescente, sofreu muito com a perda da mãe, vítima de cancro, mas decidiu que iria lutar na vida para que a mãe se orgulhasse dela e nunca iria desistir, como lhe prometeu. Assim, e apesar de viver com um pai que se desligou do seu papel, Libby cresce com uma personalidade forte e torna-se numa advogada prestigiada. Trabalha com afinco e sobrepõe o trabalho à sua vida pessoal para atingir o objectivo de se tornar sócia da firma de advogados onde trabalha, deixando para trás um marido que não quis abdicar de uma vida pessoal e de uma família. O divórcio foi mais uma ferida na vida de Libby mas ela não é uma desistente e prossegue para o seu objectivo, mesmo que vá perdendo a sua vida pessoal pelo caminho. 

No dia que pensa que vai ser finalmente promovida a sócia, ela é na realidade, demitida. O seu mundo desaba e vira-se de cabeça para baixo. No entanto, Libby arregaça as mangas e vai procurar trabalho, mas torna-se num desafio maior do que esperava. 

Neste caminho a sua vida vai mudar drasticamente. Recupera uma amizade perdida, reencontra o mundo das malhas e do tricô e que a faz recordar da mãe, que lhe ensinou esta arte, faz novos amigos, começa a frequentar o ginásio e até se torna voluntária no hospital. A parte que mais me encantou foi sem dúvida o contacto com a realidade dos bebés prematuros. Tendo eu à um ano atrás tido um bebé prematuro e tendo conhecido esta realidade bem de perto, foi com nostalgia que li a magia desses momentos. Além disso, adorei a amizade que a autora criou entre Libby e Ava, uma adolescente que está prestes a viver uma prova de fogo e que vai poder contar com o apoio de Libby. A empatia entre elas é notória e o apoio é mútuo, pois ambas ganham com esta relação e vão crescer com ela.

Quando Libby, depois de várias tentativas frustradas de emprego, decide abrir a sua própria empresa, surge uma proposta que vai colocar em risco tudo o que ganhou a nível pessoal e ela tem de pesar o que tem mais valor: aquilo com que sempre sonhou ou aquilo que neste momento é a sua felicidade. É que nos entretantos o seu coração voltou a sorrir e ela começou uma relação com o médico "coração de pedra", Dr. Philipp. Ambos magoados de relações anteriores, caminham com cautela e são colocados à prova. Será demasiado cedo?

É uma leitura agradável e aconchegante. vemos os personagens que aprendemos a acarinhar a crescer e a seguir com a sua vida de forma positiva. É um hino à vida e à felicidade e por isso recomendo a sua leitura.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Beleza das Coisas Frágeis - Opinião



Acabei agora de ler este livro. É ambíguo. Agridoce. Complexo e de uma beleza singulares. Apesar de saber que não estava no mood certo (e noutra altura poderia ter apreciado bem mais a sua leitura) e que não é uma leitura fácil, ainda assim, este é um livro que vale a pena ser lido. Para um livro de estreia a autora elevou a fasquia para os próximos livros.
Folá e Kweku. Um casal de estrangeiros nos EUA. Ela deixa de lado os seus sonhos para poderem viver os do marido, médico. Um dia, ele decide ir embora e deixar a mulher e os filhos para trás. Volta para a sua terra, o Gana e deixa-os completamente à deriva.
Kweku morre e a família vai reunir-se no Gana para a despedida. Até lá, a autora vai-nos revelando os segredos familiares, os acontecimentos traumáticos e as alianças que ora unem, ora afastam os quatro irmãos.

Taiwo e Kehinde. Gémeos. Ligados de uma forma especial. Quando o pai vai embora a mãe manda-os para casa de um tio porque não consegue tomar conta dos quatro filhos. Ao fazer isso está a definir a forma como eles irão encarar a vida nos anos seguintes, pelo que lhes aconteceu na Nigéria. Esta história dentro da história comoveu-me. Taiwo tem aquela maneira de ser, fria, que quer mostrar que não precisa de ninguém, muito fechada em si mesma. Aqui percebemos porquê. Kehinde também mudou irremediavelmente na Nigéria. Mais tarde, nos EUA tenta acabar com a própria vida e depois vive escondido de tudo e de todos. Até ser descoberto e acontecer o reencontro familiar. O sarar das feridas e descobrir que afinal não era assim tão diferente do pai.

Olu é o que tenta viver sem se envolver. Apaixona-se por Ling, enfrenta o pai dela e vão casar a Las Vegas. Vivem na sua casa de sonho e são felizes. Mas há uma distância que ela não consegue transpor, até ele a levar para o funeral do pai no Gana, como parte da família. Esteve no Gana a visitar o pai, no dia que devia receber o seu diploma na Universidade. Quer respostas mas quando aparece uma mulher na cabana ele levanta-se e vem embora sem olhar para trás. Continua sem respostas.

Sadie é a mais nova. Sempre se sentiu diferente, como parte extra da família, como se por ter surgido mais tarde tivesse perdido todas as memórias da família, pois sente que é delas que a família vive e ela ainda não fazia parte dessas memórias. É um ser frágil, de uma beleza comovente, que chora sem controle, que sofre sozinha e sente um vazio pela ausência do pai. No entanto, todos dizem que é a preferida da mãe. 

Folá ficou sozinha depois de ter sido abandonada pelo marido. Tomou as suas decisões e tem que viver com as consequências. Foi viver para o Gana e sente-se feliz por ter os filhos todos reunidos. Muitos segredos vêm ao de cima, sentimentos contraditórios. esclarecem-se mal entendidos e talvez, talvez, depois da morte de Kweku, ele consiga mesmo ter a sua família no Gana, feliz e unida.