Há de facto pessoas com uma visão tão limitada que me faz espécie. E ainda pior, são aquelas que não tendo coragem de agir e de arriscar sem temer o pior (ou temer, mas estando dispostos a sofrer as consequências)...e talvez por isso, se limitam a ter uma visão negativista da coragem dos outros. Conseguem únicamente vislumbrar o que de pior pode acontecer, sem nunca se deixar deslumbrar pelo significado da palavra viver.
Há de facto pessoas que não vivem a vida. Não me revolto com elas. Apenas sinto pena.
Descobri este post guardado nos rascunhos que não cheguei a partilhar no blog. Pois que chegou a hora e serviu de introdução ao post de hoje " A tentar ver o lado bom da vida..."
Bater com a cabeça na parede. Puxarem-te o tapete. Caíres e voltares a levantar-te. Juntar todas as pedras para construir um castelo. E por aí fora... decidir é difícil. Depois de decidires e tudo correr mal é um grande balde de água fria, verdade?
Pois bem, foi mais ou menos isso que aconteceu. Problemas que nos passavam mais ou menos ao lado ou que não conseguimos controlar ou prever, relativamente ao visto de trabalho, acabaram por nos fazer regressar a Portugal, até resposta do visto ou após 90 dias de ausência no país.
E quando desejas tanto a tua casa e estar com os teus, mas o facto de vires forçada, quase que te impede de apreciar e desejar isso? Quase...porque o calor que nos proporcionaram, a nossa família, foi mais quente do que os trinta graus do verão brasileiro. Não me livrou de uma valente constipação, mas aqueceu-me a alma.
Todo o carinho da nossa família, o arregaçar as mangas e por mãos à obra, por nós, está-me no coração. Deu-me força, deu-me garra para continuar. E agora? Quem é que me tira daqui?
Quem me tira da lareira e do conforto da minha casa? Quem me tira do convívio com os meus sobrinhos e com o resto da família? Quem me tira da maternidade onde todos nós nascemos e onde eu já estou a ser seguida? Quem me tira os mimos da mãe, as atenções e os cuidados?
Sei da crise, das dificuldades e tudo isso. Mas também sei o que é estar longe. Acreditem, há coisas que o dinheiro não paga. O meu outro cenário é estar noutro país, vivenciar a gravidez sozinha, passar grande parte do tempo sózinha, pagar tudo o que tenha a ver com a saúde inclusivé o parto (que ninguém reclame da saúde em PT ao pé de mim, as pessoas não sabem o bem que temos e que provavelmente vamos deixar de ter), sentir o coração apertado, como se incompleto....hum...não me seduz!!Nem aos meus baby's ;)
E é isto. Estamos por cá e pelo menos a minha pessoa e o ser que carrego, não devemos regressar ao Brasil antes do nascimento. Estou a tentar encarar as coisas, geri-las e seguir em frente!!
Desejem-nos sorte!!