terça-feira, 5 de julho de 2011

"Como é que se Esquece Alguém que se Ama?"







































Porque achei este texo LINDO!

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

7 comentários:

  1. Gostei muito deste texto...
    Eu acho que as pessoas que se amam ou já se amaram não se esquecem...
    Temos sim que aprender a viver com as memórias delas da melhor forma. Depois, o tempo faz o resto!

    xoxo
    Lux

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  2. olá Verita!

    Eu costumo comer as minhas papas de aveia com maçã cortada aos quadradinhos (misturo nas papas). Fica muito bom.
    Sem maçã também fica e até a minha filhota de ano e meio gosta.
    Eu costumo cozinhar as papas de aveia com leite de soja, um pau de canela e umas casquinhas de limão (como o arroz doce). Não precisa de açucar pois fica com o adocicado da leite e depois é só acrescentar a maçã (também já experimentei kiwi) ou outro fruto a gosto depois de estar pronto.
    Beijocas e boas comidinhas

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  3. Olá verita, a capadocia fica no centro da turquia e é um dos pontos turisticos do país. tenho umas fotos no arquivo do blogue março de 2011, é uma região conhecida pelas suas paisagens lunares de origem volcanica. As populações originarias viviam ou escondiam se dentro das rochas ou em cidades subterraneas, é muito bonito! bjs

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